13 dezembro 2010

Primeiro beijo gay tem de ser dramático, diz Walcyr Carrasco


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O autor Walcyr Carrasco, para quem a classificação indicativa é uma censura "cruel"

Na semana passada, o escritor Walcyr Carrasco polemizou ao afirmar, no Twitter, que a classificação indicativa inibe a exibição de beijos entre pessoas do mesmo sexo em telenovelas.

"Não vejo problema no beijo gay, que está liberado nas ruas. Uma criança pode ver um beijo gay no shopping, mas não na novela!", afirmou Carrasco no Twitter.

A declaração chamou a atenção do roteirista de cinema Fernando Marés de Souza, que acusou Carrasco, vice-presidente da AR (Associação de Roteiristas) de estar "falando besteira".

Beijo não exibido pela Globo na série Clandestinos

Por e-mail, o autor de Xica da Silva (Manchete) e Alma Gêmea (Globo) concordou em responder a três perguntas do blog sobre o tema. A entrevista foi feita antes de a Globo, na quinta-feira, cortar um beijo entre dois homens na série Clandestinos.

A entrevista:

R7 - Você já teve vontade de escrever um beijo entre dois homens, ou duas mulheres, mas se sentiu tolhido pela classificação indicativa?

Walcyr Carrasco - Não, porque escrevi comédias, histórias com um toque mais de humor, mais ingênuas. Eu acho que existe um processo: o primeiro beijo gay talvez tenha que ser dado no contexto de um drama, onde os sentimentos sejam debatidos e aprofundados. Mais tarde, depois de absorvido o impacto, poderia entrar na ação de uma comédia.

R7 - Você já teve cenas abortadas/autocensuradas por causa da classificação indicativa?

Walcyr Carrasco - Autocensuradas, sim. E vou dar um exemplo bem sólido, para que se veja o absurdo da classificação indicativa.

Na novela Alma Gêmea, eu contava a história de um menino de rua, iletrado, a quem um ladrão ensinava a roubar. A história era uma referência ao clássico Oliver Twist, de Charles Dickens, escrito no século XIX e obra-prima da literatura.

Então, o menino teria a trajetória do crime para a descoberta dos valores, da leitura como um bem em si. Mas houve um aviso de que a história poderia levar à reclassificação [da novela], embora seja um clássico da literatura infanto-juvenil, e parei com a trama, que continua a merecer filmes, adaptações e a inspirar histórias em todo o resto do mundo!

R7 - A AR irá participar da consulta pública em curso para rever a classificação indicativa? Quais as sugestões da entidade?

Walcyr Carrasco - Não posso informar, porque isso cabe ao presidente da AR, Marcílio Moraes. Eu, pessoalmente, sou contra a participação da AR na discussão de critérios. Isso porque discutir critérios implica aceitar a existência da classificação indicativa.

Eu sou contra o princípio. Não aceito. E considero uma forma disfarçada e até mais cruel de censura, porque tolhe a liberdade do autor no próprio ato de criação.



fonte: r7

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