
O Rei do Pop está morto. Ainda assim, ele vive - não no olhar de cada criança e no sorriso de cada bebê, mas na história da música mundial. Michael Jackson viveu uma vida tão repleta de sucessos quanto de polêmica, e sua morte não poderia ser muito diferente.
Ainda assim, o documentário "This Is It" foi apenas uma das maneiras de homenagear sua contribuição à cultura pop. E quem curte videogames sabe que ele também gostava - e muito! Lembra da sua enorme galeria de fliperamas na mansão Neverland? E os jogos da safra Moonwalker? Até na série Space Channel 5 ele apareceu!
Capitalizando em cima da imagem e da partida do astro, a Ubisoft lançou Michael Jackson: The Experience (Wii, DS, PSP), um daqueles jogos que deixa o jogador se perguntando onde diabos eles estavam com a cabeça. Vá lá, faz todo o sentido do mundo criarem um jogo de dança em homenagem aos passos de Jacko - ano que vem sai para Kinect e PlayStation Move -, mas qual a razão de fazer uma produção tão preguiçosa quanto uma versão customizada de Just Dance? E ainda assim, não descartá-lo apesar disto? É, este é o tipo de título que provoca reações e emoções conflitantes. Vista sua luvinha prateada e acompanhe o caso.
Siga o líder
A galera que cresceu nos anos 80 deve lembrar de uma das febres da época: os vídeos de ginástica de Jane Fonda. Muito antes da chegada do DVD - pensando bem, até mesmo das mídias óticas - a beldade lançou uma série de lições em VHS que as donas-de-casa colocavam em seus avançadíssimos vídeocassetes de três ou quatro cabeças, tentando imitar os movimentos de Jane (e falhando em ser tão flexíveis e ágeis). Pelo menos elas tentavam.
Guardadas as devidas proporções, é mais ou menos isso o que acontece na atual versão console deste jogo. Usando apenas o Wii Remote na mão direita, o jogador tem que imitar os passos de um Michael Jackson virtual - que apesar de ter um visual bem safado, sabe todos os seus passinhos de dança mais clássicos - e seguir alguns movimentos apresentados em formato de pictograma no canto superior da tela, que vêm como as notinhas de Guitar Hero e congêneres.
Como citado antes, a mecânica de jogo é a mesma de Just Dance: basta o jogador realizar os movimentos com o Remote em punho e é isso aí. O reconhecimento de movimento não é dos mais precisos - pelo visto, alguém esqueceu de avisar à divisão responsável por este jogo que existe o acessório MotionPlus - e requer um período de adaptação. Mesmo que em algum momento o jogador pense: "ah, quer saber? Vou só dançar mesmo, não tem como perder neste jogo...".
É só sucesso!
A trilha sonora tem 26 canções e sua maioria consiste de medalhões como "Bad", "Thriller" e "Smooth Criminal", além de outras menos manjadas - e nem por isso menos dançantes - como "Working Day And Night". Mas é aquilo: ao ouvir a música, reconhecer as coreografias e até mesmo o figurino (o terno branco de gângster, a jaqueta de couro vermelha, a roupa de faraó, e por aí vai) é que bate aquela pontinha de emoção que impede o jogador mais exigente de desligar o jogo e botar comida e água pros gatos.
Mesmo que econômico ao extremo - normalmente com algumas animações mais sutis, joguinhos de iluminação, efeitos de fumaça e tal - os cenários para cada fase remete aos temas e videoclipes do astro. Enquanto é inegavalmente legal pelo fator nostalgia, parece que rolou uma certa preguiça em fazer algo mais elaborado. É o tipo de material que você veria em um disco de videokê, mesmo que mais arrojado do que aquelas fotos de cachorrinhos, cavalos na praia, flores e paisagens.
No fim de cada música, o jogador vê sua pontuação e classificação de 1 a 5 estrelas. De tantas em tantas estrelas, vídeos com aulas de dança são destravados. Três dançarinos profissionais - Travis Payne, Brahim e Maryss From Paris - ensinam técnicas básicas de dança e macetes ligados às coreografias de Michael. Até aí tudo bem, tranquilo, mas ainda estou esperando a explicação por trás destes vídeos aparecerem depois de você suar como um porco em "Smooth Criminal" e ganhar pífias duas estrelas.
A um moonwalk da eternidade
Sabe o que é mais intrigante disto tudo? Mesmo se considerarmos o reconhecimento de movimento simplório, a apresentação visual modesta e a baixa quantidade de extras relacionados à carreira de Michael, o jogo tem potencial para divertir e vender bem. Ora, se Just Dance vende sem mostrar um segundo de jogo em ação, imagine isto com o poder estelar de Jackson?
O que leva a esta enorme ironia, ainda que previsível, do inegável respaldo que o jogo tem na obra do astro - seja na trilha sonora, danças e na imagem de Jackson. As canções continuam incríveis, os passos impressionam e as roupas e cenários dos videoclipes fazem parte do imaginário pop mundial. É muito difícil imaginar alguém que não goste de absolutamente nenhuma canção dele.
Você organiza uma festa com os amigos, com salgadinhos, pizza, bebidas e videogame. Ao rodar este jogo, dar um Remote para um grupo de quatro pessoas - um vai de Michael, o restante de apoio - e ver tudo isso, cabe a pergunta: o que realmente vai importar? A pontuação e o reconhecimento de movimento, ou a experiência (ahem) em si? As melhores respostas levam um "shamon", "heeee-heee" e "hoooo!".
Fonte: Arena IG

Anônimo publicou ás 21:57 |
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