30 outubro 2010

Risco de trombose é maior em mulheres


Divulgue por aí :

As mulheres estão na liderança de um ranking nada positivo. Elas reúnem mais fatores de risco que os homens para trombose ou embolia pulmonar, problemas potencialmente fatais.

Quanto maior é o risco, mais concentrado ele está no sexo feminino. Isso é o que revela uma pesquisa Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística) divulgada hoje (26), feita com 1.008 entrevistas no País.

O levantamento mostra ainda que a região Sudeste concentra quase metade (44%) das pessoas com risco de tromboembolismo venoso. Apesar disso, a maioria da população brasileira (57%) não sabe ao certo o risco que essa doença representa, nem seus sintomas.

Tromboembolismo venoso

O nome parece complicado, mas o mecanismo da doença é simples. Trata-se de um bloqueio no fluxo sanguíneo, causado por coágulo, que pode causar dois problemas. O mais comum é a trombose venosa profunda, também chamada por tromboflebite profunda, e mais comum nos membros inferiores. “Dor, inchaço e endurecimento das pernas formam a tríade da doença”, afirma Guilherme Pitta, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Mas o verdadeiro perigo está na outra manifestação da doença, a embolia pulmonar. Ela acontece quando o coágulo (ou o trombo) vai para a circulação sanguínea e segue para os pulmões. Lá, pode haver uma obstrução que, dependendo da gravidade, pode prejudicar a respiração ou matar.

Impacto no País

A incidência do tromboembolismo no País é de 0,6 caso para cada mil habitantes, segundo dados da Unesp (Universidade Estadual Paulista). As internações no SUS (Sistema Único de Saúde), entre janeiro de 2008 e agosto de 2010, passam de 85 mil, com mortalidade de 2,38%.

Se comparadas às taxas de mortalidade do câncer (7,59%) e de doenças do aparelho circulatório, que incluem o infarto e chegam a 7,82%, a trombose representa um terço das mortes das duas doenças com maior índice de mortalidade no País. “Só a embolia pulmonar já é responsável por 10% das mortes em hospitais”, afirma Pitta.

O custo disso também não é pequeno. Foram gastos pelo governo R$ 46,6 milhões nos últimos dois anos e meio com internações causadas pela doença.

Onde vive o risco

A pesquisa Ibope revela que 43% da população entrevistada já ouviu falar em trombose, mas não sabe como prevenir a doença. O primeiro passo é conhecer os fatores de risco. São eles:

- Idade acima de 40 anos
- Excesso de peso ou obesidade
- Varizes nas pernas
- Gravidez e pós-parto
- Câncer
- AVC (acidente vascular cerebral)
-Traumas, especialmente nos membros inferiores e que requeiram redução de mobilidade temporária
- Doenças crônicas, como insuficiência cardíaca ou doença pulmonar crônica
- Uso de contraceptivo oral (anticoncepcional)
- Uso de medicamentos como quimioterápicos ou tratamentos hormonais

“É uma obrigação de todo médico observar esses fatores e alertar para o risco de trombose ou fazer acompanhamento do paciente”, ressalta Ana Thereza Rocha, professora do serviço de pneumologia do hospital da Universidade Federal da Bahia.

A atenção deve ser dobrada em pacientes internados para serem submetidos à cirurgia de joelho ou de quadris, que chegam a ter de 50% a 60% de risco de trombose.

Outra combinação perigosa é estar obeso, ter mais de 40 anos e passar por qualquer tipo de procedimento cirúrgico. Isso aumenta em até 25% o risco de trombose.

No caso das mulheres, a parceria entre usar contraceptivo oral, ser fumante, ter mais de 35 anos e se submeter a uma cirurgia plástica é o que representa maior risco. “É preciso estar atento, porque a embolia pulmonar, pior consequência da trombose, é a causa mais comum de morte hospitalar evitável”, afirma Ana Thereza.

A médica destaca ainda outro estudo recente, chamado de Endose, no qual é mostrado o risco médio de pacientes clínicos e cirúrgicos hospitalizados de terem tromboembolismo. Os pacientes cirúrgicos têm um risco maior, de 66%, enquanto dos clínicos é menor, de 46%.

“Mas os medicamentos preventivos são prescritos a apenas 51% dos pacientes com risco”, afirma a médica. E essa prevenção, avalia a especialista, deve continuar mesmo após a alta médica, porque cerca de 18% dos episódios em pacientes clínicos acontece fora do hospital.

Prevenção

Muitas das medidas de prevenção podem ser adotadas sem ajuda médica. Veja as principais:

Faça caminhadas regularmente
Não fume
Controle seu peso
Quando estiver em pé e parado, faça movimentos como se estivesse andando
Se estiver acamado, faça movimentos com os pés e as pernas
Se ficar sentado por muito tempo, movimente os pés como se estivesse andando

O uso de meias de contenção pode ser indicado para quem tem inchaço nos joelhos e existem algumas medicações indicadas para o caso de viagens longas, mas essas medidas só devem ser adotadas com orientação médica.



Fonte: IG

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