Conheça a publicação da editora Memória Visual. O livro foi organizado e escrito pela designer Manuela Borges
A bolsa de matelassê com alça de corrente da Chanel é um item que nunca sai de cena. Quem tem essa peça ou qualquer bolsa da grife no closet, raramente se desfaz. O investimento no clássico dos clássicos é alto – mais de R$ 7 mil na loja – mas a longa vida de uso é certa.
Ter a it bag de todos os tempos é luxo para poucas, certo? Não é bem assim... Quem mora no Rio certamente já passou pelo Shopping da Gávea. Infelizmente ali ainda não há uma loja Chanel. Mas... O que poucos sabem é que escondido nos fundos do terreno há um brechó que pode resolver o problema. Lila Studart, que ao lado da ex-modelo Carla Pádua é dona do Anexo Vintage, faz a revelação baixinho, como quem conta um segredo. “É só chegar uma Chanel aqui que vende na hora. Tenho uma escondida ali no fundo do estoque se você quiser ver...”, diz Lila, que crava no modelo em bom estado algo em torno de R$ 2.100.
Embora as cariocas pareçam sempre se vestir com o frescor das coleções, muitas são adeptas das comprinhas em brechós. O Anexo Vintage atesta essa premissa, já que funciona a pleno vapor há mais de sete anos e conta com uma clientela de nomes variados e até famosos como a atriz Bel Kutner, Valkiria Barbosa, da produtora de cinema Total Filmes, a figurinista Emilia Duncan, a jet setter Marininha Felfeli, o cineasta Cao Hamburger e a jornalista Maria Adriana Rezende.
“Cerca de 70% do meu armário é composto por peças de brechó. Acho itens de qualidade, com preços mais em conta. Você acaba usando produtos mais exclusivos, menos sujeitos a repetições na rua”, conta Maria Adriana, mais conhecida como
A blogueira Marina W, que frequenta o Anexo Vintage há cinco anos
.
O clima descontraído de “casa de amiga” é outro fator destacado por Marina W como forte atrativo do Anexo Vintage. “Lila e Carla recebem como se estivessem em sua sala de visitas e sempre dão dicas de como montar um look”, conta a blogueira, que logo em seguida vê a frase ser personificada por Carla Pádua, que além de ex-modelo, também estudou Moda em Nova York e foi dona de confecção. A pedidos, ela serviu de “manequim” para atestar a qualidade da peça mais cara a ser vendida atualmente no brechó: um vestido de alta costura de Karl Lagerfeld, uma raridade que sai por R$ 3.100.
A designer Manuela Borges
E justamente esse clima foi o destaque do Anexo Vintage em um dos “verbetes” encontrados no Guia de Brechós do Rio de Janeiro, da editora Memória Visual. O livro, organizado e escrito pela designer Manuela Borges, 24 anos, foi lançado no dia 4 de novembro na Livraria da Travessa, na zona sul carioca. “Era complicado saber onde estavam os brechós da cidade, porque eram informais, mudavam sempre de endereço e a maioria não tinha site. Daí veio a ideia de reunir todos os que pude encontrar em um guia”, contou Manuela.
A empreitada foi bem completa. Ela percorreu e catalogou 62 brechós por bairros de norte a sul da cidade e também da vizinha Niterói. A ideia surgiu como trabalho final da PUC-RJ, onde cursava a faculdade de Comunicação Visual, e depois ganhou mais corpo e virou um livro de 80 páginas. “Encontrar os lugares foi o desafio. Visitei cada um deles, que ia descobrindo perguntando na rua, olhando em jornais de bairro, através de todo tipo de dicas”, explica a autora.
O livro não traz apenas os preciosos endereços para aquelas que adoram garimpar peças com "ar” de exclusividade, estilinho “old fashion” ou grifes internacionais consagradas por preços infinitamente menores. Manuela também classificou os 62 brechós em categorias distintas, para facilitar a busca de quem não tem muito tempo para se jogar nas compras:
A enfermeira Olívia Cruz, 26, que é ávida pela mistura do trendy com o que parece antigo
• Clássicos – São diversificados e o cliente tem que estar disposto a garimpar. As araras são repletas de peças de várias épocas e estilos diferentes.
• Chiques – São lojas mais arrumadinhas com peças nacionais e internacionais novas e seminovas. Em geral não precisa garimpar para se fazer um bom achado.
• Pop – O mote do lugar é o frescor, explicitado em cores e em peças que se pautam pela última tendência.
• Infantil – A grande curiosidade do guia, esse estilo de brechó traz várias opções para os pequenos que perdem a roupa rapidamente, não raro com pouquíssimas vezes de uso.
A reunião dos endereços dos brechós cariocas em um livro facilitou bastante a vida da enfermeira Olívia Cruz, 26 anos, . Ela teve muita dificuldade para encontrar os seus points favoritos. “Perguntava na rua e para as amigas. Acabei fazendo bons achados, a ponto de ter mais da metade do meu armário com peças compradas em brechó”, disse.
Há quem faça coro com a mesma ideia. É o caso da historiadora de moda Michelle Kauffmann
A historiadora de moda Michelle Kauffmann no lançamento do livro, no Rio
. “Antes eu comprava muita coisa em brechós internacionais e até no eBay, porque aqui no Rio havia um preconceito em relação às roupas de brechó, como se fosse um lugar poeirento de coisas velhas. Esse conceito mudou radicalmente. E a mudança de pensamento ajudou bastante no meu trabalho”, explica.
Para Manuela Borges, o lado positivo dos brechós vai além da “fama” de ser um lugar de roupas baratas e exclusivas. A autora destaca que lugares como esses também representam uma questão de consciência social. “O que não serve para um serve para outro. Não importa se uma peça tem um ou dez anos, se foi usada duas ou duzentas vezes. Uma roupa comprada em brechó será sempre nova para você.”
É possível encontrar peças raras e de grandes marcas em brechós. O importante é saber garimpar
Fonte: IG

Anônimo publicou ás 13:29 |
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